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Blog do Milton Neves

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Corinthians: o campeão feio de minha vida

Milton Neves

2019-04-20T19:16:11

19/04/2019 16h11

Carille comemora o título paulista de 2017 no Itaquerão. Festa que deve se repetir na decisão do próximo domingo. Foto: Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians

Ah, que noite chata de domingo e eu aqui no "Terceiro Tempo" da Band aguentando o mala do Neto e até o "pofexô" Luxemburgo.

Acabou agora no fim de tarde o Paulistão-Sicredi lá em Itaquera e eles foram campeões de novo.

Pela 30ª vez!

Que chato, que saco!

Não gosto do Corinthians, nunca gostei.

Desde os anos 60.

Só eu, João da Empresa, André Pirata, Mazzilinho da Loja, Luis Rato e o careca João Ferpudo de santistas contra uma multidão de corintianos malas lá em Muzambinho-MG.

Meu primo Caio, João Mula, Gilberto Cassetete, Zé Romirdo, Chico Mamangava, Márcio Pavão, Tião Capeta, Grênio Lambari, Vanderlei do Cartório, Norinho do Bar, Carlinho Boca de Véia, Chico da Sinuca, Piconez do Arto da Anju, Zé Viado (teve 24 filhos) e o Mirto Coloro formavam o "Exército Mineiro do Parque São Jorge".

João Mula, Grênio Lambari, Carlinho Boca de Véia e Mirto Coloro: grandes corintianos de Muzambinho

O Santos só ganhava, e aí "ouvia-se" grande silêncio lá no centro nervoso de minha terra.

Mas quando o time de Pelé perdia (algo raro) ou empatava, parecia final de Copa do Mundo com o Brasil campeão.

E na manhã de 7 de março de 1968?

Como ir para o colégio?

No dia 6, quarta-feira fatídica, eles quebraram o tabu de 10 anos ganhando do Santos por 2 a 0 com gols de Paulo Borges (na bamba), de pé esquerdo, e de Flávio Minuano, de pé direito.

Paulo Borges, que morreu em 2011, e Flávio Minuano, que vive hoje na Zona Leste de São Paulo

Pelé, Toninho e Edu perderam três gols feitos contra o nervoso goleiro Diogo no 0 a 0.

Aí, matei aula para decepção de minha Tia Antonia.

Não, não dava para aguentar a corintiana emboscada me esperando no entroncamento da Salatiel de Almeida com a Américo Luz.

Fachada da Escola Estadual Professor Salatiel de Almeida, na Av. Dr. Américo Luz, em Muzambinho

Bem, aí o tempo passou, e nesta noite de domingo de abril de 2019 estou aqui fazendo o "Terceiro Tempo" da Band, em minha 21ª temporada de "Mesa Redonda" aos domingos à noite em TV de rede grande, e sendo obrigado a enaltecer o Corinthians, o campeão feio.

Futebol pequeno, covardão, time meio que "faz-me rir".

Com grande goleiro, grande torcida, linda camisa e futebol de quinta divisão.

E estou também lendo aqui o "Diário da Noite", "A Gazeta Esportiva", o "Diário Popular", "O Esporte", o "Diário de São Paulo" e o "Popular da Tarde" e é unânime: o Corinthians não merecia ter ganho o Paulistão-2019!

Por falta de combatividade, o Corinthians feio já deveria ter sido "banido" do campeonato naquela segunda-feira diante do Santos FC de futebol bonito.

Mas como inventaram o maravilhoso futebol sem este tipo de punição técnica, temos que aguentar mais um título "deles" e hipocritamente citar a "legítima conquista da agremiação do Parque São Jorge".

Mas fica aqui meu protesto.

Afinal, quem não joga nada no campeonato não merecia ser campeão e só o foi porque a molecada boa do São Paulo tremeu debaixo dos berros dos 11 milhões de corintianos que lotaram hoje o Itaquerão.

Não dava para aguentar mesmo.

E hoje nem precisou de VAR-Amigo, de Apito-Amigo e até de São Cássio pegando pênalti.

São Cássio, o Rei dos Pênaltis. Mas, na final de domingo, não precisará "gastar" seu talento. Foto: Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians

O São Paulo perdeu o título ao só empatar com eles no primeiro jogo em casa.

Não deu, infelizmente eles foram campeões novamente e temos que aguentar os malas.

Mas eu não desisto, não.

Um dia ainda fecho o Barcelona, que odeio, e o Corinthians, que não suporto.

Só que aí será tiro no pé.

Sem esse maloqueiro do Corinthians tudo perderia a graça, o Paulistão viraria Campeonato Paulista de Aspirantes, a crônica esportiva seria rebaixada, respeitosamente, para o vôlei, basquete, natação, esgrima e curling e eu desapareceria como miragem.

Mas já esteve bom demais.

Nunca imaginava, né, Muzambinho?

E Deus te pague, Corinthians!

A prova de que eu amo, sim, o meu Timão! Não é mesmo, Edu Gaspar? É nóis! Vai, Curintchá! 

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Sobre o autor

Milton Neves é jornalista profissional diplomado, publicitário, empresário, apresentador esportivo de rádio e TV, pioneiro em site esportivo no Brasil, 1º âncora esportivo de mídia eletrônica do país, palestrante gratuito de Faculdades e Universidades, escrivão de polícia aposentado em classe especial, pecuarista, cafeicultor e é empresário também no ramo imobiliário.