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Blog do Milton Neves

Eu voto no Garrincha

Milton Neves

Garrincha .

Mais um domingo sem futebol.

E tem que ser assim mesmo.

Afinal, o futebol é a coisa mais importante dentre as menos importantes e neste domingo o voto no gol da urna goleia de novo a bola na rede.

E em minha eleição para os presidentes, governadores, senadores, deputados e craques do mágico mês de outubro, eu voto no candidato Garrincha.

Afinal, Pelé não vale e já ganhou todas as eleições até o fim do mundo.

E nesses meus 46 anos de São Paulo, em que venho votando em todas as urnas de rádio, televisão, jornal, internet, revistas, ponto de venda, eventos, palestras e publicidade, só consegui ver de perto o meu candidato Garrincha uma única vez na vida.

Vi, conheci, senti, entrevistei, cumprimentei, observei mais em silêncio do que falando e me emocionei como os milhares de ouvintes da Rádio Jovem Pan naquele domingo de 1º de agosto de 1982.

Para emplacar o “bebezinho” Terceiro Tempo a emissora levava aos domingos sempre um nome top para emoldurar e fortalecer o principal dia do futebol.

Vieram do Rio até os então badalados árbitros Arnaldo Cezar Coelho e José Roberto Wright.

É que a Jovem Pan estava naturalmente assustada com a saída, em meio à Copa da Espanha, de Estevan Sangirardi e de seu então imbatível “Show de Rádio”.

Ele levou o programa e todo o seu time para a Rádio Bandeirantes.

O “cano” profissional do saudoso “Sanja” foi desastroso para sua carreira, sua autoestima, e para seus colegas de microfone.

É que, ao contrário da Pan, na Bandeirantes ele não entrava coladinho no final do jogo e o “Show de Rádio” definhou e Sangirardi morreu profissional e fisicamente tempos depois.

Foi um passo em falso.

É que a Rádio Bandeirantes, já à época, sacou que o jornalismo pós-jogo, já se consagrando sob o manto da marca “Terceiro Tempo”, era muito mais importante do que o “rádio esportivo humorístico”.

Mas, e aí, eu consegui ver Garrincha.

Vi, abracei, ri, quase chorei, mas a entrevista saiu.

E você pode ouvi-la no player abaixo:

Garrincha ganhou um cachê, em cheque, de cerca de 1000 reais em dinheiro de hoje.

Mas o cheque, entregue pelo diretor José Carlos Pereira da Silva, era de R$ 897,27, mais ou menos.

É que havia descontos de imposto de renda, ISS, INSS, PIS e etc, sei lá.

Mané reclamou, queria os 1000.

José Carlos completou com uma nota de 100 e pediu o RG e o CPF dele para a documentação.

“Mas o que é isso? Nem sei o que você tá pedindo e o que tenho tá aqui”, falou Mané, esvaziando seus bolsos e jogando o conteúdo na mesa.

Eram algumas moedas, poucas notas amassadas, uns papéis e uma carteira de identidade de séculos atrás toda sem plástico nas beiradas e emitida pelo “Estado da Guanabara”.

Era o chamado “bolso de gente do bar”.

Foi emocionante.

Fotos, aos milhares, imagens tão repetidas à exaustão na TV e falas tão curtinhas de Mané, todo mundo tem e já viu e ouviu.

Mas, aqui, no player acima, você ouve Mané Garrincha por quase 30 minutos.

Clique, ouça, acenda uma vela, olhe para o céu, reze ou ore, abra a janela e berre: obrigaaaaadooooo, Manéeeeeeeee…

E vote nele sempre em seus pensamentos.

CLIQUE AQUI E SAIBA MAIS SOBRE A HISTÓRIA DE MANÉ GARRINCHA NA SEÇÃO “QUE FIM LEVOU?”