
E Felipão recomeçou na Seleção com uma “polêmica”.
Na verdade a chamada e velha “tempestade em copa d´água”.
“Não quer pressão? Então vá trabalhar no Banco do Brasil”, argumentou.
E de forma feliz, ou na melhor das intenções, creiam.
Minha gente, Felipão, como eu, somos de uma geração que sonhava em trabalhar no Banco do Brasil, “o porto mais seguro do mundo”, a “salvação da lavoura”.
Assim pensávamos nos anos 60 e 70, principalmente no interior do Brasil.
Como em Passo Fundo-RS, terra dele, Muzambinho-MG, minha terra, ou em qualquer canto do país, tenho certeza.
Naquela época, o funcionário do Banco do Brasil era figura das mais nobres e admiradas das cidades pequenas e médias.
O bam-bam-bam da sociedade.
Uma casta invejada, ambicionada.
Fiz o concurso para entrar no banco duas vezes, mas não achei minha ficha de inscrição, só as duas da Petrobrás e da Universidade Católica de BH que estão acima e abaixo.

E tomei pau nos dois concursos do BB sendo bi não aprovado.
Também, horroroso em datilografia e médio apenas em física, química e matemática, como iria passar?
Por isso não passei também em três vestibulares para Odontologia e Comunicação Social em Curitiba e Belo Horizonte e igualmente no concurso para “Operador de Máquinas Especiais” da Petrobrás, em Paulínia-SP.
Dei sorte, Deus tinha reservado coisa muito melhor para mim.
E bota “melhor” nisso.
E pro Felipão, então…, tivesse feito o mesmo concurso.
Mas tivesse passado para entrar no Banco do Brasil seria o homem mais feliz do mundo, minhas mãe e tia dormiriam em paz total pela “maravilhosa colocação do Mirtinho da Carmita” e eu teria me casado 10 anos antes .
Mas não deu.
Era na base de 300 ou 400 por vaga, pelo que me lembro.
Mas vários colegas de Muzambinho passaram.
O “Amir goleiro”, o “Ércio Zoinho”, o “Luis Podestá da Betinha e do Monte Belo”, o “Massa do Seo Luis do Bar”, o “Carlinho Boca de Véia”, o “Betão do Seo Alberto do ônibus” e o “Renezinho do Tenente Renê”.
Mas os três últimos optaram pela Petrobrás de Paulínia porque, numa “largura danada”, passaram nos dois.
Eu, “Edson Corvino”, “João Mula”, “Ivan Surdão”, “Beto Broa”, “Luis Rato”, “Márcio Pavão”, “Marco Antonio Cotó”, ”Zé Caoio”, hoje “Zé Viado”, porque teve 24 filhos, e mais uns 30 ficamos “chupando o dedo”.
“Chupando o dedo” e com “zóio cumprido” na ótima mudança de vida de quem passou.
E alguns, não todos, ficaram metidões.
Andavam de fusca zero bala, – a glória da glória -, tinham Cartão Ouro e financiamento para a casa própria a juros subsidiados, família toda com acesso ao “fechadíssimo” clube AABB e disputadíssimos para serem membros do Lions Club.
Até viajavam em feriados prolongados para Santos com a família e colegas.
“Turma, a água é ´sargada mémo´, voltou dizendo o maravilhado Amir goleiro”, o Amir Além Aquino que até fez testes na Ponte Preta.
Aí, um dia, pintou o Collor em 1990 e acabou com a mordomia, ou com as regalias.
Hoje, os gaúchos de Passo Fundo, mineiros do Sul de Minas Gerais e brasileiros de todo canto, até lamentam ter passado.
Assim, corretos, abnegados e atuais funcionários do Banco do Brasil, não se ofendam com o Felipão.
Ele elogiou a condição funcional de vocês pensando que o orgulho persistia em lembrança comparativa ao que ocorria em seus tempos de mocinho e de beque botinudo ali do lado de Erechim.
Só que ele não sabe se expressar e explicar as coisas como se fosse um Joelmir Beting.
Mas que, do seu jeitão truculento – mas não à la Pinochet, viu, Felipão? -, ele seja campeão do mundo de novo para a alegria de todos os segmentos da sociedade brasileira.
Inclusive, é claro, dos lutadores funcionários do Banco do Brasil.