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Blog do Milton Neves

Tite será o novo Telê Santana? Ótimo de clube e ruim de seleção?

Milton Neves

Por Marcos Júnior Micheletti

É claro que os estilos são muito diferentes.

Telê Santana (1931-2006), de outra geração, não tolerava cabelos esdrúxulos.

Fazia marcação “cerrada” nas concentrações e elegia um capitão permanente para seus times.

Tite, nascido em 1961, convive numa boa com o visual “descolado” de sua trupe.

Maleável, homem de diálogo franco, considera o revezamento de capitães uma alternativa interessante.

Teimosos, ambos.

Convictos, dirão outros…

Em 1982, Telê deixou Leão, então o melhor goleiro na ocasião, fora de sua lista de 22 convocados para a Copa da Espanha.

Na “Batalha do Sarriá”, ainda que precisasse de um mero empate, não conteve seu time e acabou perdendo para a Itália.

Manteve em campo o ótimo Toninho Cerezo, mas que estava visivelmente abalado depois da falha no primeiro gol de Paolo Rossi.

Em 1986 errou nas convocações. Levou parte do time de 82, obviamente envelhecido, e “pinçou” algumas peças que não deram liga.

A eliminação em 82 foi na 2ª fase, equivalente às oitavas de final de agora.

A eliminação em 86 foi nas quartas de final.

O tão defenestrado Sebastião Lazaroni comandou a seleção na Copa de 90 e voltou para casa após a aliminação contra a Argentina, nas oitavas de final.

Assim, em termos de seleção, na prática, Telê e Lazaroni são equivalentes. Falo de resultados, pois é óbvio que a seleção de 82 foi encantadora e a carreira de Telê em clubes é incomparavelmente superior a de Lazaroni.

Tite foi brilhante nas eliminatórias para a Copa da Rússia e cometeu erros na convocação (Arthur fora e Taison dentro) e também no posicionamento de Gabriel Jesus, que nunca foi marcador de zagueiros.

Paulinho também foi uma escolha que pode ser questionada.

Em termos clubísticos, currículos invejáveis de ambos.

Telê, primeiro campeão brasileiro em 71, com o Galo, bicampeão da Libertadores e Mundial com o São Paulo, algumas das conquistas. Foi bem até comandando o limitado time do Palmeiras em 79. A vitória maiúscula (4 a 1) em pleno Maracanã contra o quase imbatível Flamengo foi histórica.

Tite, campeão da Copa do Brasil pelo Grêmio, Brasileiro, da Libertadores e Mundial pelo Corinthians, entre outros.

Currículos robustos em seus clubes, Telê fracassou em suas duas tentativas frente à seleção brasileira.

Tite, em sua primeira Copa, também voltou sem a taça.

Resta saber, se a exemplo de Telê, estará no próximo Mundial, ainda que embalado por um time muito menos brilhante do que o de Telê em 82.

Aliás, curiosamente, Telê e Tite também se assemelham no quesito centroavantes.

Telê “domesticou” Serginho Chulapa na Copa da Espanha, receoso com o comportamento pouco ortodoxo do atacante. Foi uma furada do treinador. Serginho parecia um seminarista. Não foi nem sombra do endiabrado necessário para um torneio de “tiro curto”.

Tite “catequizou” Jesus (perdão pelo trocadilho), fazendo um centroavante “fazedor de gols” tornar-se tático, marcador de beques…

Telê tentou corrigir na Copa de 86 os erros de 82. Foi menos convincente ainda…

Tite talvez tenha uma chance em 2022 para vencer este “duelo” com Telê.

Não será fácil…