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Blog do Milton Neves

A morte de Hawilla

Milton Neves

CLIQUE AQUI E CONHEÇA A HISTÓRIA DE J. HAWILLA NA SEÇÃO “QUE FIM LEVOU?”

Conheci pessoalmente o J. Hawilla no Detran, no Ibirapuera, ali pelo final dos anos 70.

Milton Neves no Detran de São Paulo, nos anos 70

Antes, eu só o ouvia pela Rádio Bandeirantes como o segundo repórter-volante, distante do “Olho Vivo” Roberto Silva, o titular.

Hawilla trabalhou também na Globo e no SBT, como você nota na foto acima. Da esquerda para a direita, em pé: Carlos Valadares, Jorge Kajuru, Ciro José, J. Hawilla, Rui Viotti e Juca Kfouri. Agachados: Fernando Solera, Fábio Sormani, Dr. Osmar, Silvio Luiz, Eli Coimbra e Flávio Prado

Hawilla procurou a mim e ao saudoso Franz Netto, então repórter setorista da Rádio Bandeirantes, para licenciar e emplacar o seu carro novo, um Dodge 1800, que comprara da concessionária do também saudoso Constantino Cury, então presidente da Fundação Cásper Líbero.

J. Hawilla queria uma placa com a sigla JH.

Walter de Moraes Machado Suppo, diretor-geral do Detran, também hoje no céu, deu a Hawilla a sua placa alfanumérica solicitada.

Anos 70: Hawilla na fortíssima equipe da Rádio Bandeirantes

Creio que nunca mais vi J. Hawilla, até 1999.

Aliás, além de 1982, o marco do nascimento do programa “Terceiro Tempo” da Rádio Jovem Pan, 1999 é um ano referencial em minha vida profissional.

Estúdio da Rádio Jovem Pan, nos ano 80, quando o “Terceiro Tempo” ainda engatinhava: Orlando Duarte, Milton Neves, Wanderley Nogueira e José Silvério

À época, eu já era o “bão” disparado do estúdio esportivo, mas queria também entrar na TV.

Como escrevi aqui outro dia, tentei na TV Gazeta em 1988, na TV Manchete em 1994 e na TV Cultura em 1998.

Não fui mal, mas nocauteado, fritado, esnobado e dispensado sem qualquer explicação.

Olhares de soslaio ou de esgueio em sacristias de igrejinhas em confessionários de padres amigos, por parte de “companheiros laterais de bancada”, abortaram meu sonho de ser comentarista de “Mesa Redonda”.

Não deu certo, mas dou graças a Deus!

Tivesse dado, tomaria fácil o comando daqueles bons espaços esportivos e talvez não tivesse aparecido a santa Band em meu caminho por já estar em outra emissora.

A Band mudou a minha vida, hoje já completamente realizada, estabilizada, exageradamente.

Enfim, fiquei fora da TV.

Mas aí, no início de maio de 1999, J. Hawilla e Johnny Saad conceberam o “Projeto Band-Traffic”.

Foi um agito geral no meio esportivo!

O esporte na Band passou a ser de Hawilla e uma equipe precisava ser formada a toque de caixa.

       No dia 26 de abril de 1999, foi apresentada a nova equipe de esportes da TV Bandeirantes, no projeto Band-Traffic. Em pé: Rivellino, Orlando Duarte, Antonio Pétrim, Luiz Ceará, Fernando Fernandes, Osvaldo Paschoal, Alexandre Santos e Márcio de Castro. Sentados: Silvia Vinhas, Hortência, Milton Neves e Luciano do Valle

Além dos jogos com Luciano do Valle, é claro, a cereja do bolo de Hawilla era o “SuperTécnico” a ser exibido nas noites de domingo.

“SuperTécnico” que Hawilla concebeu na “Pizza do Faustão”, na casa do apresentador, ao ficar entusiasmado com as histórias contadas espontaneamente por 15 treinadores em meio a muito vinho na mansão do meu ex-companheiro de Jovem Pan em 1972.

Mas e o apresentador do “SuperTécnico”, quem seria?

“Deu briga” no jantar-reunião no restaurante Rodeio, da Haddock Lobo.

Ruy Pinheiro Brisola Filho queria Flávio Prado, Hawilla só falava em Fernando Vannucci, técnico Candinho não abriu o bico, Hélio Sileman defendia César Filho e Vanderlei Luxemburgo, então técnico da seleção, opinou, duro: “Qualquer um menos o Milton Neves, que só briga comigo no ar na Jovem Pan e é muito metido”.

Aí, o saudoso Amir Michel Farha, amigão de Hawilla, ponderou: “Ora, Milton Neves é o melhor disparado”.

Mas Hawilla não concordou alegando: “Como homem de rádio que fui, sei que o Milton é bom, mas fala demais e na TV a linguagem é outra, mais curta e mais rápida”.

“Ouviu-se” um silêncio, e o Ruy Brisola meneou a cabeça em direção ao mestre Marcos Lázaro sugerindo que ele devesse também opinar por sua imensa experiência.

Hawilla sacou e perguntou: “E aí, mestre Marcos Lázaro, o que você acha?”.

Ele, Marcos Lázaro, respondeu, levantando sua colher de sopa que o Rodeio só fazia para ele: “Yo solo escucho a Milton Neves (eu só escuto o Milton Neves)”.

Pronto, fui contratado no outro dia e de espécie de Careca do rádio esportivo (do Guarani-78) virei pelo menos um lateral-esquerdo titular do Flamengo, do Corinthians ou até da seleção brasileira.

       A chegada de Pelé ao “SuperTécnico” da Rede Bandeirantes de Televisão, em setembro de 1999, foi marcante. Foi conduzido por J. Háwilla (à direita). Oswaldo de Oliveira, admirado, está à esquerda

E toda essa história é só para dizer muito obrigado à Band, a Ruy Pinheiro Brisola Filho, a Amir Michel Farha, a Hélio Sileman, ao mestre Marcos Lázaro e fundamentalmente a J. Hawilla.

Sim, “a morte tem o poder de uma mão de ausência que a tudo perdoa e apaga”, diria o poeta.

Mas não concordo com isso e muito menos com os imensos erros já assumidos por J. Hawilla no mundo dos direitos de transmissão de televisão.

Esses erros que abreviaram a sua vida, imagino.

Só que a tudo isso respondo com uma outra frase feita, e muito bem feita, por alguém: “A gratidão é a primeira virtude do homem e base de todas as demais”.

E eu não poderia nesta hora ser covarde ou ignorar o que o hoje falecido e condenado Hawilla fez por mim.

Honestamente ele me contratou, honestamente ele me lançou na TV, honestamente, como tudo em minha vida de 50 anos de microfone, para ele e para a Band trabalhei e concluo dizendo a J. Hawilla o meu eterno MUITO OBRIGADO.

Em 10 e junho de 2011, anos antes de “explodir” o escândalo envolvendo a Traffic, Milton Neves e J.Háwilla participaram do evento para Associação Obra do Berço, no São Paulo Golf Club em São Paulo