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Blog do Milton Neves

Argentina: o castigo 40 anos depois!

Milton Neves

E aí, Argentina, sentiu falta de Manzo, de Chumpitaz, de Rojas e de Duarte na quinta-feira?

Eles foram seus “zagueiros-amigos” naquela goleada da Copa de 78 que vocês ganharam na marra.

E que diferença entre Quiroga-78 e Gallese-2017, hein?

Um foi grande peneira para Kempes e o outro um belo paredão diante de Messi.

Aqueles vergonhosos Argentina 6 x 0 Peru de Rosário nunca acabarão.

Até para os peruanos Héctor Chumpitaz, o capitão, e Marcos Calderón, o treinador, que “não devem estar em bom lugar”.

Ambos lamentavelmente morreram, como toda a delegação do Alianza Lima, no trágico acidente aéreo de 8 de dezembro de 1987.

Uma pena, principalmente para o herói Ganoza, o saudoso goleiro, tio de Paolo Guerrero.

Ganoza, negro alto e canhoto como Dida, era irmão da mãe do atacante do Flamengo e morreu exausto lutando contra as águas do Pacífico.

Mas salvou a vida do piloto do fatídico voo do Fokker F-27 que pertencia à Marinha peruana.

Foram 42 mortos, incluindo toda a delegação do Alianza Lima que voltava à capital peruana, mas o voo acabou no mar pertinho do destino final.

Só o piloto sobreviveu.

E agora, 40 anos depois entre Argentina-78 e Rússia-2018, a seleção comum do Messi terá uma sobrevida nesta última rodada das Eliminatórias da Copa da terra do eterno Putin?

Está difícil, mas não impossível.

Mas tomara que a Argentina seja eliminada direto e sem direito sequer à repescagem contra a moleza Nova Zelândia.

Menos como castigo a quem trocou de técnico três vezes no comando de uma seleção raquítica, mas como punição dos céus e dos deuses da bola que estão há 40 anos exatos à espera de uma vingança pela vergonhosa marmelada dos fáceis 6 a 0 de Rosário.

E com direito e em meio a um novo Argentina e Peru na semana do “aniversário de morte” de Cláudio Coutinho, nosso revoltado e inconformado técnico de 78, um campeão mundial, moralmente.

A defesa naquele jogo foi de um Peru mole, ao contrário de um outro Peru ousado, duro e aguerrido desta última quinta-feira.

Nos 6 a 0, até que o ponta Muñante meteu uma bola na trave de Fillol no começo do jogo, ainda 0 a 0.

“Curiosamente”, não passaram mais a bola para ele.

O volante Velásquez, alto, magro e cabeludo, parece até ter feito cara feia para Muñante.

E o outro ponta, o Oblitas?

Ainda na Rádio Jovem Pan, em 6 de abril de 2005, eu o entrevistei no “Terceiro Tempo” com meu portunhol horroroso.

Ele era treinador da LDU-EQU e no pós-jogo da Vila Belmiro, após vitória santista por 3 a 1 em duelo válido pela Libertadores, li para Oblitas a notícia de Lima dando conta da “confissão” do zagueiro Manzo reconhecendo que o jogo dos 6 a 0, que enfureceu Cláudio Coutinho, foi comprado pela ditadura de Jorge Rafael Videla.

Educado e cortês, Oblitas ouviu e respondeu calmamente dizendo em alto bom som: “O que menos deve falar deste jogo é ele”.

Ouça abaixo:

PS: eu gravei o vídeo aqui em anexo horas antes de a redação do Portal Terceiro Tempo ter localizado a gravação de 2005.

E no vídeo, traído pela memória, cometi dois erros: o repórter foi Luís Carlos Quartarollo e Oblitas foi educadíssimo, e não ríspido.

Enfim, sintomático!

Terça-feira, precisos 40 anos entre as duas Copas, “saberemos a verdade da famosa e tão falada marmelada”.

O número cheio, 40, parece ser sintomático também.

E mais do que ser sintomático, será trágico para Messi se a Argentina não se classificar.

Ele passará para a história como fracassado em seu país, que saberá ainda mais ser Maradona o verdadeiro Pelé de branco e azul.

Para os argentinos, a seleção deles é tudo, enquanto o Barça é apenas “um time estrangeiro”.

Sorte dos hermanos, nesse desespero todo, é que o ético Tite não tem nada de Marcos Calderón, vamos ganhar do Chile e ajudar a seleção moralmente não campeã do mundo de 78.

Aqui não se paga ou se vinga marmelada com outra marmelada.

Viu, Peru?

Viu, Argentina?

Abaixo, veja a ficha técnica de Argentina 6 x 0 Peru em 1978

Data: 21/06/78
Estádio: Rosário
Público: 37.315
Árbitro: Robert Wurtz.
Gols: Kempes (21); Tarantini (43); Kempes (46); Luque (50); Houseman (67) e Luque (72).

Argentina: Fillol, Olguin, Luis Galván, Passarella, Tarantini. Larrosa, Gallego (Oviedo), Kempes, Bertolini (Houseman). Luque e Ortiz. Técnico: Menotti.

Peru: Quiroga, Chumpitaz, Duarte, Manzo, R. Rojas. Cueto, Velásquez (Gorriti), Cubillas, Munante. Quesada e Oblitas. Técnico: Calderón.

E confira também a relação dos integrantes mortos da delegação do Alianza Lima em 1987:

Jogadores

-Carlos “Pacho” Bustamante
-José Casanova
-Milton Cavero
-Aldo Chamochumbi
-Luis Antonio Escobar
-Tomas “Pechito” Farfán
-José González Ganoza
-Ignacio Garretón
-William “Willy” León
-José Mendoza
-Gino Peña
-Daniel Reyes
-César Sussoni
-Braulio “Tejadita” Tejada
-Alfredo Tomassini
-Johnny Watson

Comissão técnica

-Marcos Calderón (treinador)
-Andrés Chunga (auxiliar-técnico)
-Washington Gómez (funcionário)
-Santiago Miranda (chefe da delegação)
-Rolando Galvez Niño (preparador físico)

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