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Blog do Milton Neves

O Cucabol versão 2.0 vai mal no Palmeiras

Milton Neves

Fábio Piperno (no Twitter, @piperno)

Luz amarela para o Verdão. O time que mais investe no país vai mal nas três frentes em que está vivo e o risco de acabar a temporada como o mais caro fiasco brasileiro da década é bem real. O diagnóstico nem precisa ser muito detalhado para revelar má fase de figuras fundamentais na conquista do título de 2016. E o técnico, refém de indesejada crise de criatividade, se agarra ao Cucabol.

Jogadores da confiança de Cuca vão mal. Dudu e Tchê Tchê parecem meros genéricos, bem distantes do que foram em 2016. Zé Roberto não tem mais a necessária energia para dar conta das ambições de um time que pretende ganhar a América. E Egídio continua sendo Egídio, o que é pouco. Bem pouco para ser honesto.

Cuca vai mal tanto nas escolhas de jogadores, quanto nas alternativas táticas adotadas. Nos muitos momentos de dificuldade, enche o time de atacantes e apela sem constrangimento ao bumba-meu-porco. Troca a transição organizada pela ligação direta afobada. E quando opta por Dudu ou Zé Roberto como homem centralizado e responsável pela criação de jogadas, aí consegue piorar um pouco mais.

Incrível também é constatar que Michel Bastos, Raphael Veiga e Hyoran sejam preteridos em favor de um ex-craque de 43 anos. Zé Roberto merece respeito e admiração. Jamais lugar cativo nos grandes jogos. E se os três acima citados não estão à altura de atuar no Palmeiras, quem os contratou deve boas explicações pelo dinheiro mal investido.

Difícil hoje imaginar que Michel Bastos não possa ser mais utilizado no meio ou como titular da lateral-esquerda. Incompreensível ver a equipe jogando no Equador e tendo Roger Guedes, o único atacante que dá profundidade ao time, sentado no banco. Coisas de um técnico em má fase.

Desorganizado em campo, o Palmeiras vai se acostumando a ver Mina se posicionando como centroavante, arrancando como meia e até mesmo saindo em velocidade como ponta. É óbvio que o hiperativismo do excelente colombiano tem mais relação com voluntarismo desesperado, do que com racionalidade e organização.

Diferente da maioria dos concorrentes, o novo rico da bola não se faz de rogado na hora de meter a mão no bolso ou de acionar a bolsa da patrocinadora para tentar corrigir os erros de rota. O problema é que age por impulso. Agora, o nome da vez é o de Diego Souza. Sem dúvida um ótimo jogador. Mas já que é possível continuar gastando, a prioridade deveria ser o investimento em um lateral. Nunca em novo atacante, o que certamente aumentará ainda mais o isolamento de Borja, o mais caro reforço da história do clube.

Mas a verdade é que atacante a mais combina melhor com a atual versão do Porcobol. Ou, se preferirem, do Cucabol 2.0.

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