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Blog do Milton Neves

Dona FIFA, depois da TV, o doping, por favor!

Milton Neves

infantinoo

A Fifa sempre foi lenta em suas decisões quando resolve alterar isto ou aquilo nas regras do futebol.

É lenta e foi até ciumenta.

Foi assim com o bastão de spray branco para marcar no gramado o limite da barreira.

“Dali o jogador não pode passar quando das cobranças de faltas”, decretou-se.

E isso nasceu em 2000 no futebol por obra de Eduardo José Farah, então presidente da Federação Paulista.

Naquele domingo à noite de agosto ou setembro de 2000, durante um “SuperTécnico” na Band, Felipão, Zagallo, Parreira e Carpegiani discutiam e reclamavam da vergonha das barreiras sempre se adiantando nas cobranças de faltas.

Foi o tema central do programa.

Aí, Luize Altenhofen, minha segunda companheira de “SuperTécnico”, imprimiu um e-mail com a ideia de um telespectador iluminado sugerindo que o problema acabaria com um simples bastão de creme de barbear ser colocado na cintura de todos os árbitros.

“É só fazer um risco branco do lado dos pés dos jogadores com o creme de barbear que dali eles não passam”, sugeriu o torcedor.

Os técnicos gostaram e o presidente Farah, vendo o programa, mais ainda.

Já na segunda-feira consultou um profissional que ponderou ser impraticável o creme de barbear porque ele, com sua composição química, danificaria a grama e nas intermediárias teríamos “cicatrizes” a ponto de transformar gramados em mosaicos de xadrez.

Resolveu-se fácil.

O químico bolou um spray branco “inofensivo” sem os componentes “agressivos” do creme de barbear e logo a novidade foi implantada “na marra” no futebol paulista, dizia Farah.

A FIFA não vetou, mas ignorou, desdenhou e depois sucumbiu sem nunca ter dado crédito ao então presidente da FPF.

Hoje o mundo usa o spray e as cobranças de faltas e suas barreiras foram disciplinadas.

E agora está chegando a TV para ajudar os coitados dos árbitros e bandeirinhas.

Antes tarde do que nunca.

Mas ainda faltam duas medidas que urgem no futebol.

Proibição de se jogar nas alturas, como em La Paz, por exemplo, porque ali ainda vai morrer um jogador visitante.

Aliás, não sei como ainda não morreu alguém.

Mas, ao morrer, virá a proibição, tardia, anotem.

Por que não a prevenção e proibição já?

E o doping, então?

Ora, dona FIFA, qualquer time, qualquer seleção e em qualquer competição em que um jogador for flagrado dopado, tem que ser caso de sumária eliminação do campeonato e imediata derrota do time dele, seja qual tenha sido o placar do jogo.

Puristas alegam que “o doping só de um jogador não pode contaminar os outros 10 porque se trata de esporte coletivo”.

E acrescentam: “Isso só pode valer para esporte individual”.

Mas, meu Deus, outro dia o Paulista foi eliminado da final da Copinha devido a um só “gato” que destruiu os sonhos de seus 10 companheiros e de um clube que luta para ressurgir a partir de Jundiaí.

Foi ou não foi?

E nos Jogos Olímpicos?

Os revezamentos da natação e do atletismo são modalidades esportivas coletivas, como no futebol, basquete, vôlei e etc.

Ora, claro que são esportes coletivos.

Coletivo de quatro é a mesma coisa de coletivo de 11.

Ou não?

Se nos revezamentos olímpicos um atleta dopado contamina os outros três com medalha devidamente cassada, por que no futebol não se aplica a mesma coisa?

Como no caso de La Paz, a FIFA estará numa grande fria quando em Copa do Mundo ou Eurocopa acontecer de uma seleção top classificada em mata-mata ou considerada campeã na grande final tiver apresentado um ou dois jogadores dopados.

A seleção derrotada não aceitará, o mundo se indignará e a FIFA mudará a regra porque punir o jogador e manter o resultado é um absurdo.

Que mude agora, caramba!

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