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Blog do Milton Neves

Cuidado com a história da bola, meninada!

Milton Neves

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Li, vi e ouvi, até na TV grandona, que depois de 56 anos Santos e Palmeiras voltarão a decidir um Campeonato Paulista “reeditando aquele extraordinário duelo de 1959 entre Pelé e… Ademir da Guia”!?!?!

Meu Deus do céu, foi muito forte!

Em 1959 e 1960 o Palmeiras tinha Zequinha e Chinesinho no meio-campo com Ademir da Guia sendo à época apenas uma promessa como médio-volante do Botafogo e depois do Bangu.

Basta ver em meu “Que Fim Levou?” do terceirotempo.com.br, as fotos de Ademir da Guia, de pé, nos juvenis do Fogão e depois no time de Moça Bonita.

E quando veio para o Palmeiras, em agosto de 1961, ele chegou a ser reserva de Hélio Burini e também posou de pé nas fotos do Verdão.

Gente, o Rei e o Divino passaram a se enfrentar para valer só em 1962 e, principalmente, em 1963, com o palmeirense sendo o campeão paulista em seu segundo ano em São Paulo.

1963 foi um ano de um Santos cansado pelas batalhas contra Boca Juniors e Milan nas terríveis e difíceis decisões pelo bi da Libertadores e do Mundial.

Assim, em 1959, com a decisão do Supercampeonato Paulista sendo disputada, depois de dois empates, já em 1960, no dia 10 de janeiro, quando Ademir da Guia “não existia” no Parque Antártica.

Pelé fez 1 a 0, Julinho empatou e Romeiro, cobrando falta que não ocorreu – vi muito bem no Canal 100 da TV Manchete que apresentei em 1994 -, decidiu o ” Super Paulistão-1959″.

Aliás, naquele programa ao lado também de Luís Pereira, Ademir da Guia e Julinho Botelho (vejam fotos nas páginas deles também em “Que Fim Levou?”), Romeiro viu seu gol e… chorou!

Ao se recuperar, disse: “chorei porque esta é a primeira vez que vejo bem esse meu gol. Chutei, tinha gente na frente, não vi nada, a bola entrou lá no gol do Laércio e todo mundo pulou em cima de mim. Não vi o gol e depois do jogo fui para o Rio de Kombi com 10 amigos que vieram ver a final, comemoramos lá por semanas, não havia tape na TV e só hoje vi esse gol histórico”, explicou, deixando-nos boquiabertos no estúdio.

E insisto: vejam no “Que Fim Levou?” as fotos do programa nas páginas de Romeiro e dos citados jogadores acima e matem saudades.

E teve mais, com Julinho Botelho falando: “E o meu gol, fora da minha ponta, o do empate, vi bem agora, foi belo presente do zagueiro Getúlio”, brincou o doce camisa 7 que pediu, por telegrama, direto de Florença, para não ser convocado pela CBD para a Copa de 1958 “porque seria uma injustiça com esse menino aí, o Garrincha”.

Que coisa, hein?

Hoje, como em concurso de miss, jogador de bola, se puder, “até mata” um rival da posição para ir para uma Copa do Mundo no lugar dele.

Mas, enfim, por que o Palmeiras de Valdir Joaquim de Moraes (o único campeão de 1959 que está vivo), Djalma Santos, Valdemar Carabina, Aldemar, Geraldo Scotto, Zequinha, Chinesinho, Julinho, Nardo, Américo Murolo, Romeiro e Oswaldo Brandão, foi “super” campeão paulista de 1959?

É que, antigamente, quando dois ou três times terminavam empatados após os dois turnos em pontos corridos e perdidos (um por empate e dois por derrota), a decisão extra era a chamada “super”.

E também por isso o Campeonato Carioca de 1958 foi chamado de “Super-Super” porque o Vasco de Gradim, o campeão, Botafogo e Flamengo protagonizaram um incrível triplo empate ao final da etapa de classificação.

Na primeira decisão a três, persistiu a indefinição.

Aí, na segunda, diante do Flamengo, deu Vasco de Miguel, Paulinho (quebrou a perna no jogo) e Bellini; Écio, Orlando e Coronel; Sabará, Waldemar, Almir, Roberto Pinto e Pinga.

150 mil pessoas viram o jogo quase no dia em que lá em Cuba Fidel Castro e Che Guevara goleavam Fulgencio Batista.

E o Vascão foi assim “Super-Super” campeão carioca de 1958, devido à duas decisões extras.

E agora, em 2015, que ninguém mais invente “fatos extras” e que não fale mais ou escreva que “56 anos depois Pelé e Ademir da Guia (sic) voltarão a decidir um Campeonato Paulista”.

Ora…
A história grita e se revolta, meninada!

Imagem: Túlio Nassif/Portal TT